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5 formas de reduzir a sua pegada carbónica este mês

Por Munara Team8 min de leitura

Atualizado a 9 de julho de 2026

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5 formas de reduzir a sua pegada carbónica este mês

Os conselhos sobre alterações climáticas costumam chegar como uma parede de tópicos — apague as luzes, recicle mais, coma menos carne — sem indicar quais as mudanças que realmente fazem diferença. Por isso, esta lista é propositadamente mais restrita: cinco hábitos, cada um sustentado por dados reais sobre quanto carbono efetivamente poupa, ordenados aproximadamente pelo impacto face ao esforço.

1. Compre em segunda mão antes de comprar novo

Este é o hábito com maior impacto desta lista, porque quase tudo o que compramos carrega a maior parte das suas emissões no fabrico, não na utilização. Uma análise de sustentabilidade da Reperch estimou que um sofá em segunda mão tem uma pegada de cerca de 10 kg CO₂e, comparado com cerca de 100 kg CO₂e para um sofá novo — uma redução de 90%, já que a energia incorporada no fabrico, transporte e matérias-primas já foi "gasta" uma vez. Estudos de ciclo de vida sobre mobiliário reutilizado encontraram reduções igualmente acentuadas, entre 80% e 97%, dependendo do artigo.

A roupa segue o mesmo padrão, numa escala menor. A Ellen MacArthur Foundation concluiu que manter uma peça de roupa em uso durante apenas mais nove meses reduz a sua pegada ao longo da vida em 20–30%, e uma estimativa aponta que comprar um casaco de inverno em segunda mão em vez de novo poupa cerca de 3,7 kg de CO₂ — aproximadamente as emissões de uma viagem de 15 km de carro. Nada disto exige comprar menos; basta verificar o Munara (ou qualquer fonte de segunda mão) antes de abrir a página de "novidades" de uma loja.

2. Substitua alguns descartáveis por reutilizáveis

Os artigos de utilização única pesam pouco individualmente, mas muito em conjunto, e algumas trocas cobrem a maior parte do caminho: uma garrafa de água reutilizável, sacos de pano guardados no carro ou junto à porta, e uma navalha com lâminas substituíveis em vez de descartáveis.

Curiosamente, Portugal é aqui um verdadeiro caso de sucesso europeu, e não um exemplo negativo. Os dados do Eurostat de 2023 mostram que os agregados familiares portugueses usaram apenas 14 sacos de plástico leves por pessoa nesse ano — uma das taxas mais baixas da UE, já confortavelmente abaixo da meta de 40 sacos por pessoa definida para 2025. A média da UE foi de 65. Esta descida deve-se em grande parte à taxa sobre sacos de plástico introduzida em 2015, um bom lembrete de que a política e o hábito se reforçam mutuamente: quando levar um saco de pano se torna normal, mantém-se normal.

3. Planeie as refeições em torno do que já tem

O desperdício alimentar é um problema climático maior do que a maioria pensa. O Eurostat estima que a UE gera cerca de 130 kg de desperdício alimentar por pessoa por ano, e os agregados familiares são responsáveis pela maior fatia — cerca de 69 kg por pessoa, ou 53% do total. A nível global, a perda e desperdício de alimentos é responsável por cerca de 8–10% de todas as emissões de gases com efeito de estufa, mais do que toda a indústria da aviação.

A solução não é sofisticada, mas é eficaz: compre com uma lista construída à volta de refeições já planeadas, mantenha os produtos mais antigos à frente no frigorífico para serem usados primeiro, e trate as sobras como o início da refeição de amanhã em vez de algo a reaquecer por obrigação. Uma pequena sessão de planeamento ao domingo — mesmo que só quinze minutos — evita a maioria das decisões impulsivas que levam a comida a estragar-se sem ser usada.

4. Prefira caminhar, pedalar ou usar transportes públicos em trajetos curtos

Os transportes são consistentemente uma das maiores fontes de emissões domésticas, e as viagens com piores emissões por quilómetro são precisamente as curtas — motores frios são ineficientes, e um trajeto de 2 km raramente permite que um carro atinja a sua temperatura de funcionamento mais eficiente. Para distâncias inferiores a 3 km, caminhar ou pedalar costuma custar apenas mais alguns minutos, e Lisboa em particular expandiu de forma substancial a sua rede de ciclovias dedicadas nos últimos anos, tornando as viagens curtas de bicicleta mais viáveis do que há cinco anos.

5. Doe em vez de descartar

Antes de qualquer coisa ir para o lixo, vale a pena fazer três perguntas rápidas: outra pessoa poderia usar isto tal como está? Poderia ser reparado com pouco esforço? Poderia ser vendido ou dado em vez de descartado? Se a resposta a qualquer uma destas for sim, é um bom candidato para o Munara em vez do caixote do lixo.

Isto importa mais em Portugal do que as estatísticas gerais de reciclagem sugerem. A taxa de reciclagem municipal do país foi de 30% em 2022 — bem abaixo da média da UE-27, de 49% — e a taxa de recolha seletiva nacional foi de 23% em 2024, segundo a Agência Europeia do Ambiente. Portugal comprometeu-se a atingir 55% de reciclagem até 2025 e 60% até 2030, mas a doação contorna por completo as limitações do sistema de reciclagem: um artigo reutilizado não precisa de ser triado, processado ou reciclado, porque nunca chegou a tornar-se lixo. Móveis, eletrónicos que ainda funcionam, roupa e livros são as categorias com maior probabilidade de encontrar rapidamente um novo dono.

Onde isto realmente leva

Nenhuma destas cinco mudanças exige uma reviravolta no estilo de vida, e todas se reforçam mutuamente: comprar em segunda mão e doar o que já não precisa funcionam segundo o mesmo princípio, em extremos opostos, enquanto reduzir o desperdício alimentar e trocar descartáveis poupam dinheiro tão fiavelmente quanto poupam emissões. Escolha uma para começar esta semana — comprar em segunda mão primeiro é o hábito mais fácil de sentir imediatamente — e vá acrescentando as outras à medida que se tornam rotina.


Tem um hábito de sustentabilidade que tem funcionado consigo? Junte-se ao fórum da comunidade Munara e partilhe-o — hábitos pequenos e testados costumam ser mais úteis para os outros do que grandes conselhos abstratos.

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